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Decrepitar
Almador
Que antes de despertar o amor nos outros, sejamos capazes de amar a nós mesmos.
almas

Se você já assistiu “(500) Dias Com Ela” sabe do que estou falando. Vinte e cinco segundos. Eu contei. Vinte e cinco segundos podem representar sua ruína. É o tempo que dura aquela cena no elevador, quando Tom está escutando “There Is a Light That Never Goes Out” e ela, graciosamente chega perto diz “Eu amo os Smiths!” e ainda canta um trechinho da canção feito um gatinho doente, dançando com olhos e pescoços e franjas e todos aqueles quilômetros de lábios róseos feito morango em foto publicitária. Vinte e cinco segundos, cara. E você foi surrupiado de si mesmo e está fodido por uns cinco anos.
Gabito Nunes.
Em alguns dias dói. A tristeza puxa os cabelos, arranha a cara, machuca dentro. E a gente não tem mais nada pra fazer a não ser dizer que tá tudo bem. Porque vai passar, passa. Só que antes de passar maltrata. E, entenda, a pior dor é aquela que ninguém vê. Só ela, a tristeza.
Clarissa Corrêa.
Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queira muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se lamentar.
Tati Bernardi.  
Até o carinha da lojinha da esquina já percebeu que não tem lugar pra mim na tua vida. Seu caminho é pra dez e eu somo o número onze. Não se enxuta amor, não se soca alguém no coração até caber. Alguém precisa ceder para que o outro entre, alguém tem que desistir pra outro poder começar. Ou alguém saí ou nem entro. Uma história precisa terminar para que outra possa acontecer.

O meu começo,

já teve um fim.

Não liguei no outro dia. Me atrasei pro encontro. Esqueci uma data qualquer. Deixei o cachorro fugir. – Sim, meu amor, você está gorda. – Comprei o sabão da marca errada. Não levantei a tampa da privada. Deixei a toalha em cima da cama. Preferi me perder na estrada ao invés de pedir informação. O lixo que não recolhi aromatizou todo o ambiente. Arranhei os filmes românticos. – Juro que vou quebrar aquela porra de espelho no pára-sol do carro. – Dei uns socos nos teus amigos. Belisquei os teus sobrinhos. Fiquei bêbado no casamento da sua irmã e pedi pizza no endereço da tua mãe. Fui parar na cama de alguma conhecida tua. Canonizei o futebol de Domingo. – A minha bateria esgotou. – Deixei a conta telefônica vencer de propósito. Te joguei na piscina estando naqueles dias. Dormi no sofá, e me vinguei no videogame. Não ajudei com a louça. – Esqueci a carteira em casa. – Imitei o teu jeito de falar afinando a voz. Meu sono é fulminante depois da transa. – Não vou pro médico nem a pau. – Não matei a barata que se escondeu pelo quarto. – Não vejo problema algum em ter algumas revistas pornôs – O que custa me trazer uma cerveja da cozinha? – Ué, só sumi por alguns dias e não quis avisar ninguém.

Eu sou o erro que você não consegue viver sem.

Charmoso Canalha
Que lugar do mundo é melhor pra se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beira-mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?
Martha Medeiros.

minha decadência está visível, mas poucos (ou ninguém) veem.

estou me afastando lentamente de todos ao meu redor. dos meus pais, amigos que restaram da minha cachorrinha de estimação, e até da luz do sol. não quero que me vejam morrendo, não quero que ao me abraçarem sintam meus ossos soltados, que vejam minhas olheiras mais profundas do que o normal, não vou permitir que percebam que em meus olhos não há mais luz. estou me distanciando, para um lugar calmo, escuro, no qual ninguém além de mim fará parte.

estou me despedindo, indo, sumindo.

Estou desistindo de você, e desistir me parece uma palavra que remete a um caráter de alguém que se encaixa em perfis de perdedores, dos que não conseguem nada. E talvez, eu esteja me encaixando assim, de uma maneira que nunca me encaixei em você. Deixo-te de lado para viver uma vida sem um coração metade saudade metade corrosão, coloco-te na lixeira da minh’alma para que você sirva de lembrança toda noite e de exemplo todo começo de mês. Mas desisto não por culpa sua, mas sim a minha, eu, de maneira grosseira, não estou disposto a enfrentar sete cabeças, muito menos sete corações. Há muito em jogo, e meu querer viver é um deles. Há tanto que andar, tanto que viver, há tanto pra falar, pra escrever, há tanto pra perguntar e você não deseja responder.
Soltasse uma declaração de amor quando eu precisava, apertasse meu coração quando eu esbarrei no teu caminho e sussurrei que precisava de você. Faça como eu fiz, se entregue como eu me permiti entregar-me.
Mas agora eu tento desistir de você, assim como eu sempre desisti de outras coisas, como sempre outras coisas desistiram de mim. Hoje, me sento aqui, para dizer-te adeus, mesmo querendo ficar. Abano-te a mão porque das suas opções eu não sou a primeira, e viver num segundo plano é pior do que não viver em nenhum.

O segundo lugar

sempre está lá,

mas isso não significa

que se importem com ele.